De tempos em tempos, todos são acometidos de um medo irrefreável, intenso e que por um segundo faz toda a coluna vertebral virar geléia. Não importa o quanto se é corajoso, quando esse medo vem, ele chega num piscar de olhos e toma conta do pensamento por inteiro. Assim é o medo da morte.
Tem gente que pensa que não há nada além. Tem gente que pensa que tem um paraíso ou um inferno flamejante. Eu não tenho medo do depois da morte. Ainda não sei como é e o que acontece nesse outro plano, mas não é ter uma consciência viva depois da morte física que me incomoda. São os momentos que antecedem.
Quem nunca se afogou e pensou que “é agora que eu vou”? Duvido que não tenha pensado. Pode negar… eu sei que pensou. O que foi que passou pela cabeça além disso?
Quando eu me afoguei, além do desespero mecânico de conseguir ar para aliviar a agonia dos pulmões, pensei “que maneira idiota de morrer”. Depois, quando o ar continuava não entrando, pensei “que saco, nada funciona, não consigo nem falar um adeus”. Tudo isso em questão de segundos. Não vi vida nenhuma passando diante dos meus olhos, só vi o momento incrivelmente idiota da morte se aproximando.
Depois, quando me resignei que não importava o que fizesse, o ar não viria, fiquei pensando “em alguns segundos vou perder a consciência e esse tormento termina”. Logo em seguida “logo alguém vai ter um baita susto encontrando o meu corpo morto no chão”.
Um pouco antes de perder a consciência, o ar voltou aos poucos aos pulmões, e eu pensei “não foi dessa vez, agora é ter paciência para isso passar”, “vou ficar com dor de garganta”, “pelo menos não foi afogado”…
Depois de descansar um pouco, recuperada a consciência, não dei mais importância direta ao fato, mas as vezes ainda penso nisso. Não tenho medo do que vai acontecer depois, tenho medo de ter uma morte idiota, da dor de alguma coisa ou então de não conseguir avisar a todos.
Tem gente que tem tanto medo de falar sobre isso que prefere bloquear, eu, prefiro bloguear. Não sei para onde vou depois de largar essa casca material. Se tiver permissão, força ou jeito de explicar isso para alguém depois de estar lá, eu faço. Prometo. O meu medo é não estar em condições de falar um adeus ou ter uma morte idiota.
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Cara, passei por algo assim quando viajava de avião. A nave pegou uma turbulência absurda, tudo tremendo, compartimentos internos se abrindo e bagagens se espalhando pelo corredor, e eu pensei “caralho, então é assim que se morre voando?”. Foi meu único pensamento, nada do filme da minha vida ou grandes epifanias. Só a angustia da dúvida.
Passei por isso também quando cai de moto e fiquei rolando todo quebrado no acostamento. Pensei…-=Nossa, então é assim que se morre de moto? Que merda!
Mas não morri e tudo voltou ao normal.
Hoje em dia não tenho mais medo da morte.
Ei você prometeu que ia explicar como é la se tiver permissão, força ou jeito de explicar,promessa é promessa okay!
Acho que a vida é dubia ,ás vezes parece muito frágil,e em outras,parece infindável.Aos 3 anos,sofri um acidente,mas era criança demais para entender toda a filosofia que envolve o “morrer” em si,a única coisa que lembro é verdadeiramente do medo,que vem em consequência da dor e não do próprio ato de morrer.Se morrer naum doer,eu gostaria de morrer várias vezes talvez assim,quem sabe, eu pudesse libertar -me por muitas vezes e por longos tempos da matrix,numa experiência infinitamente mais duradoura e extremanente mais empírica.